Pergunto:
porque necessitamos de um Componente que nos desperte a sensibilidade, quando,
na verdade, estamos “sentindo” a todo momento? A resposta é simples: sentimos,
sim, no entanto, não sabemos externar e não buscamos fazê-lo.
O mundo no
qual estamos inseridos subestima nossas emoções e nos impõe o mecanicismo em
todas as esferas de nossa vida. Sentir não é rentável. Sentir não garante
empregos. Sentir não nos acrescenta riquezas materiais. Mas como pode alguém
passar pela vida sem buscar senti-la em todos os âmbitos possíveis?
Nesse
ínterim, a proposta de nos retirar de nossa zona de conforto e isolamento
mostra-se indubitavelmente válida e instigante. Seja a terra à qual nos
vinculamos emocionalmente, seja a descrição de quem somos, seja a capacidade de
partilhar memórias íntimas e nossas... Todas essas experiências do sensível nos
edificam e nos afastam do automatismo do cotidiano.
De que
vale uma vida tomada pela incapacidade de sentir a si mesmo e buscar entender
os sentimentos alheios? Que tipo de médicos seremos se apenas nos importar o
mecanicismo da prescrição de remédios? Que tipo de advogados seremos se não nos
permitirmos viver a verossimilhança da Constituição e lutar por ela? Que
psicólogos seremos se as nossas conversas significativas com outrem forem
apenas aquelas nas quais recebemos algum pagamento?
Sentir nos
é intrínseco. Não devemos afastar os sentimentos da nossa edificação pessoal,
profissional, acadêmica. A vida torna-se vã e crua quando não se sabe pelo que
vale a pena viver. Esse sentido crucial nos é ofertado quando nos permitimos
sentir!
Sejamos,
pois, a construção de uma sociedade capacitada também no sentir. Sejamos o
exemplo revolucionário de que as pessoas precisam para aliar viver e sentir e
nunca mais desvincular esses verbos, essencialmente na prática. Compartilhemos
nossas memórias, mostremos quem somos, ouçamos mais as outras pessoas com quem (con)vivemos,
busquemos enxergá-las não apenas como colegas de trabalho, de Universidade
(...), mas também como seres sensíveis. Ser é sentir; sentir também é ser.
Natália Oliveira
Pensamos demasiadamenteSentimos muito pouco
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência.
Sem isso,
A vida se tornará violenta e
Tudo se perderá.
(Charles Chaplin)