quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Sobre a Importância das Experiências do Sensível



         Pergunto: porque necessitamos de um Componente que nos desperte a sensibilidade, quando, na verdade, estamos “sentindo” a todo momento? A resposta é simples: sentimos, sim, no entanto, não sabemos externar e não buscamos fazê-lo.
         O mundo no qual estamos inseridos subestima nossas emoções e nos impõe o mecanicismo em todas as esferas de nossa vida. Sentir não é rentável. Sentir não garante empregos. Sentir não nos acrescenta riquezas materiais. Mas como pode alguém passar pela vida sem buscar senti-la em todos os âmbitos possíveis?
         Nesse ínterim, a proposta de nos retirar de nossa zona de conforto e isolamento mostra-se indubitavelmente válida e instigante. Seja a terra à qual nos vinculamos emocionalmente, seja a descrição de quem somos, seja a capacidade de partilhar memórias íntimas e nossas... Todas essas experiências do sensível nos edificam e nos afastam do automatismo do cotidiano.
         De que vale uma vida tomada pela incapacidade de sentir a si mesmo e buscar entender os sentimentos alheios? Que tipo de médicos seremos se apenas nos importar o mecanicismo da prescrição de remédios? Que tipo de advogados seremos se não nos permitirmos viver a verossimilhança da Constituição e lutar por ela? Que psicólogos seremos se as nossas conversas significativas com outrem forem apenas aquelas nas quais recebemos algum pagamento?
         Sentir nos é intrínseco. Não devemos afastar os sentimentos da nossa edificação pessoal, profissional, acadêmica. A vida torna-se vã e crua quando não se sabe pelo que vale a pena viver. Esse sentido crucial nos é ofertado quando nos permitimos sentir!
         Sejamos, pois, a construção de uma sociedade capacitada também no sentir. Sejamos o exemplo revolucionário de que as pessoas precisam para aliar viver e sentir e nunca mais desvincular esses verbos, essencialmente na prática. Compartilhemos nossas memórias, mostremos quem somos, ouçamos mais as outras pessoas com quem (con)vivemos, busquemos enxergá-las não apenas como colegas de trabalho, de Universidade (...), mas também como seres sensíveis. Ser é sentir; sentir também é ser.



Natália Oliveira





      Pensamos demasiadamente
Sentimos muito pouco
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência.
Sem isso,
A vida se tornará violenta e
Tudo se perderá.
(Charles Chaplin)