Nós, seres humanos,
todos dotados de telencéfalo altamente desenvolvido e polegares opositores,
iguais perante a lei e no contexto dos direitos humanos, somos sim
absolutamente diferentes quando analisamos óticas adversas. Parece não ser tão
epifânica a descoberta da diferença entre um ser e outrem – sabendo-se que a
própria diversidade é uma das garantias da evolução. Mas a questão transcende.
Em suma, é perceptível a influência capitalista até mesmo na nossa forma
de enxergar o mundo. Tal lógica atrelada solidamente ao capital é, por vezes,
desumana e desarmônica. Suscita diferenciações ideológicas que poderiam não
existir se o “ter” não fosse tão mais importante que o “ser”. Mas, tomemos como
exemplo a dualidade de quem produz lixo e quem dele vive. Do luxo ao lixo, do
lixo ao luxo. Há de se ampliar o campo de visão no intuito de ver além das diretrizes
do dinheiro – ou do dinheiro como diretriz. Há quem diga que é impossível não
praticar o desperdício e o descarte desenfreado; há quem viva desses excessos,
sem se vitimizar: a vida parece simples quando não se tem muito e se partilha
pouco que, diga-se de passagem, não é tão aconselhável para se partilhar ou se
viver a partir de. São diferentes modos de ver. Sejamos mais humanos ao
tratarmos de humanos. Somos os mesmos seres que habitam a Ilha das Flores e as
tantas ilhas sociais marginalizadas; somos os abandonados, sejam eles menores
ou não; somos também a personificação da miscigenação; não somos apenas o
número do nosso RG, ou dados ou estatísticas; somos gente e somos o ‘sistema’.
É digno de menção, a esse respeito, que o ‘sistema’ não nos força a ser cruéis,
a menos que nos permitamos sê-lo. Pratiquemos, então, a equidade quanto ao ver
– somos todos seres dotados de telencéfalo altamente desenvolvido e polegares
opositores. Sejamos, pois, o paradoxo dos iguais.
(Natália
Oliveira)
"Não querem nos deixar pensar."
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Visão
Vi são o doente que não enxerguei
De fato
(Re)trato o mundo limitado
Meus olhos
Ocultam-me o que não me importa
Negligencio
A realidade do que me cerca
Abro os olhos
A luz ofusca e liberta
Dispo-me das viseiras,
Das vendas – financeiras ou não
(Vi)sto a equidade: revolução muda
Faz-se então
Meu Iluminismo particular,
Minha salvação
Os olhos despertos, libertos
Não há condicionamento que me prenda
Ou me renda em omissão
Epifania:
Enxergar também exige (ver)dade.
Natália Oliveira
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“Ser culto para ser livre”
Por que iniciar uma reflexão acerca de Paulo Freire utilizando uma
citação cuja autoria não lhe pertence? A resposta está na essência. Vejo, após
apreender uma parcela dos ideais freirianos, o alicerce indissociável entre
conhecimento e liberdade – não necessariamente nessa ordem.
Não poderia enumerar todas as epifanias e novas percepções oriundas da leitura de 'Pedagogia da Autonomia', todavia abordarei duas dentre as peculiaridades fascinantes provindas da genialidade humilde e simples de Paulo Freire. Antes de enunciá-los, convém ressaltar que estas são evidenciadas na obra em demasia, tal como um mantra revolucionário e reformador, com a intencionalidade de entender a verossimilhança destes conceitos de forma sequenciada e lógica.
O primeiro conceito é o de "dodiscência". Vamos lá, o que vem a ser isso na prática? Esse conceito freiriano parte do pressuposto que a aprendizagem pode estar aplicada tanto aos discentes quanto aos docentes, de maneira que não se subjulguem conhecimentos ou se menospreze o apanhado cultural, histórico, social e pessoal que cada um leva consigo. Professores podem sim aprender enquanto ensinam! Tal como alunos podem ensinar ao passo que aprendem... Há uma correlação muito poderosa entre discentes e docentes que pode – e deve – ser potencializada baseando-se principalmente no respeito e na promoção da equidade.
A segunda peculiaridade marcante advinda da Obra freiriana é a "necessidade de reconhecer-se incompleto". Partindo-se dessa premissa, faz-se imprescindível enxergar na incompletude (limitações de quaisquer âmbitos e, nesse caso, com enfoque na área educacional) a capacidade e a força motriz para ir além. Não é fraqueza reconhecer a ignorância, todavia é fraco quem sucumbe a ela por orgulho ou pretensão ou, ainda, inércia. Transformemos a nossa incompletude em combustível. Sejamos sempre famintos e sedentos por conhecimento!
Além disso, após tamanho aprendizado freiriano, sinto enorme gratidão por fazer parte e ajudar a edificar uma Universidade que adere a esses e a tantos outros nobres conceitos de maneira ousada, revolucionária e libertária. Reconhecer também a popularidade dos ideais de Freire e sua difusão pelo mundo surpreende e emociona!
Assim sendo, retornemos ao título. "Ser culto para ser livre". Que tem a ver conhecimento e liberdade afinal e como responder a tal pergunta de modo a contemplar os ideais de Paulo Freire? Adquire-se liberdade a partir do momento que se edifica o conhecimento. Ora, não se pode ser livre ou conquistar a liberdade excetuando-se a necessidade de sapiência do processo. Não menos importante é a necessidade de permear o conhecimento com liberdade e autonomia. Construa. Busque. Dispa-se da ignorância e medo oriundos de suas limitações. Nada mais justo do que ser responsável por construir agora quem você será futuramente. Sigamos para sempre e além; sigamos para além e sempre.
Não poderia enumerar todas as epifanias e novas percepções oriundas da leitura de 'Pedagogia da Autonomia', todavia abordarei duas dentre as peculiaridades fascinantes provindas da genialidade humilde e simples de Paulo Freire. Antes de enunciá-los, convém ressaltar que estas são evidenciadas na obra em demasia, tal como um mantra revolucionário e reformador, com a intencionalidade de entender a verossimilhança destes conceitos de forma sequenciada e lógica.
O primeiro conceito é o de "dodiscência". Vamos lá, o que vem a ser isso na prática? Esse conceito freiriano parte do pressuposto que a aprendizagem pode estar aplicada tanto aos discentes quanto aos docentes, de maneira que não se subjulguem conhecimentos ou se menospreze o apanhado cultural, histórico, social e pessoal que cada um leva consigo. Professores podem sim aprender enquanto ensinam! Tal como alunos podem ensinar ao passo que aprendem... Há uma correlação muito poderosa entre discentes e docentes que pode – e deve – ser potencializada baseando-se principalmente no respeito e na promoção da equidade.
A segunda peculiaridade marcante advinda da Obra freiriana é a "necessidade de reconhecer-se incompleto". Partindo-se dessa premissa, faz-se imprescindível enxergar na incompletude (limitações de quaisquer âmbitos e, nesse caso, com enfoque na área educacional) a capacidade e a força motriz para ir além. Não é fraqueza reconhecer a ignorância, todavia é fraco quem sucumbe a ela por orgulho ou pretensão ou, ainda, inércia. Transformemos a nossa incompletude em combustível. Sejamos sempre famintos e sedentos por conhecimento!
Além disso, após tamanho aprendizado freiriano, sinto enorme gratidão por fazer parte e ajudar a edificar uma Universidade que adere a esses e a tantos outros nobres conceitos de maneira ousada, revolucionária e libertária. Reconhecer também a popularidade dos ideais de Freire e sua difusão pelo mundo surpreende e emociona!
Assim sendo, retornemos ao título. "Ser culto para ser livre". Que tem a ver conhecimento e liberdade afinal e como responder a tal pergunta de modo a contemplar os ideais de Paulo Freire? Adquire-se liberdade a partir do momento que se edifica o conhecimento. Ora, não se pode ser livre ou conquistar a liberdade excetuando-se a necessidade de sapiência do processo. Não menos importante é a necessidade de permear o conhecimento com liberdade e autonomia. Construa. Busque. Dispa-se da ignorância e medo oriundos de suas limitações. Nada mais justo do que ser responsável por construir agora quem você será futuramente. Sigamos para sempre e além; sigamos para além e sempre.
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Anísio
Teixeira: o progresso do ensino superior mediante ideais progressistas e
inovadores
A
Universidade – seus papeis, responsabilidades e sua importância na edificação
do saber – deve mostrar-se altamente capaz de reinvenção e dinamismo conforme a
transitoriedade dos tempos e as necessidades específicas de cada período.
Através do
discurso de Anísio, pudemos apreender as noções do conceito e da
situacionalidade da universidade no Brasil desde sua completa negação – a relutância
e o ceticismo de nosso governo e nossa sociedade, no século XIX – somando-se
aos preconceitos enraizados à universidade medieval, até seu surgimento oficial
em nosso país apenas em 1920.
O primeiro
ponto anisiano que acredito vivenciar na UFSB diz respeito ao conceito de
pesquisa: “a universidade só será de pesquisa quando passar a formular a
cultura que vai ensinar.” (TEIXEIRA, Anísio, 1968, p. 6). A Atividade de
Orientação Acadêmica tem sido um exemplo claro e simples de construção de
conhecimentos a partir da relação entre a Universidade e a comunidade de
Ferradas. Tal definição de pesquisa desconstrói algumas das minhas visões
anteriores acerca dela: acreditava ser “pesquisa” puramente a prática em
laboratórios e afins. Percebo, então, que a “pesquisa” está aquém do saber
estritamente teórico e científico; “pesquisa” revela-se também como construção
e diálogo cultural.
No que
tange à roupagem totalmente diferenciada da Universidade Federal do Sul da
Bahia frente ao tradicionalismo vigente, é possível perceber mais um ideal
anisiano ao considerar que tal modelo de renovação só se faz possível a partir
da reforma dos conteúdos que a Universidade transmitirá. Nesse sentido, os
nossos Componentes Curriculares demonstram tal reinvenção de teorias, ideias e
conteúdos, e nos aproximam de nossa sociedade à medida que nos entendemos como seres
transformadores de nossa realidade.
Ao refletir
acerca da expansão do ensino superior no Brasil na concepção de Anísio, posso
perceber que a UFSB não é um mero acréscimo nesse âmbito. Para Anísio, antes de
apostar unicamente na expansão do ensino, deve-se prezar a capacidade da(s)
nova(s) universidade(s) de atender às necessidades da sociedade vigente.
Partindo-se desse pressuposto, a UFSB nasce no intuito de romper tradições
obsoletas, trazendo para a região cacaueira a possibilidade de reinvenção, a
assimilação de novos conceitos e a capacidade de transformação a partir de um
ensino transformador, a fim de atender às carências presentes na região.
Ratificando, não se trata de um mero acréscimo à quantidade de universidades
federais no Brasil; a UFSB é a edificação de um modelo mais autônomo e verossímil
de ensino, digno de difusão e apoio.
Além disso,
um ideal anisiano – na verdade, importado da Universidade de Humboldt –
fortemente presente e vivenciado na UFSB e passível de destaque é “a liberdade
de ensinar e liberdade de aprender”. (TEIXEIRA, Anísio, 1968, p. 15). Tal ideal
alicerça-se e complementa-se em nossa Universidade com as ideias freirianas na
promoção de sua “pedagogia da autonomia”. Desse modo, devemos nos apossar dessa
liberdade de aprendizagem para potencializar a sapiência apreendida no meio
acadêmico.
Ademais, ao
ressaltar a importância da reinvenção dos modelos universitários, Anísio
Teixeira brilhantemente destaca a necessidade de renovação das posturas dos
corpos docente e discente. Para que a reforma universitária tenha êxito, todos
os envolvidos devem permitir-se reformar: aceitar o novo, auxiliar a moldá-lo e
exercer suas respectivas responsabilidades a fim de prosperar concomitantemente
à reforma. O professor deve abandonar a postura de sabedor de todas as coisas e
mero expositor do conhecimento, assim como o aluno deve abandonar a apatia e a
omissão de esperar e simplesmente absorver – sem qualquer criticidade – o
conhecimento que lhe é ofertado no meio acadêmico.
Em suma, em
minha concepção, vivemos agora em um momento em que o modelo tradicional vigente
já não se mostra tão eficaz e verdadeiramente útil à sociedade, como ocorreu às
universidades medievais. Desse modo, tal como a Universidade de Humboldt
objetivou quebrar os paradigmas atrelados ao meio acadêmico à época, a UFSB
surge num momento em que uma nova quebra de paradigmas tecnicistas se faz
necessária ao progresso da sociedade. É necessária a promoção da educação
autônoma e libertária, e da formação de profissionais mais humanizados e
capazes de desenvolver suas práticas a fim de transformar e aprimorar seu meio
social, suas localidades, seu país! Há de se destacar, por fim, a citação de
Anísio: “a educação não é só um bem para o indivíduo, mas uma necessidade para
a sociedade”. (TEIXEIRA, Anísio, 1968, p. 15).
(Natália Oliveira)
Perspectivas
É estranho imaginar que as pessoas não tenham planos ou perspectivas para o futuro "pós-colégio". Mas acontece. E com uma frequência mais desagradável do que gostaríamos.
Com a visita aos colégios, objetivamos transpassar alguma esperança e alternativa para aqueles que acreditam estar obrigatoriamente excluídos de todos os setores possíveis dentro de nossa sociedade.
Com isso, foi gratificante vê-los perceber que ainda há alternativas, ainda há caminhos, ainda há possibilidades, ainda há muita vida e muitos novos planos e objetivos a traçar e vencer. Despindo-se do ceticismo e da inércia, muitos vieram a mim depois da apresentação e tiraram suas dúvidas... " Uma Universidade federal? E eu realmente tenho chance?" Em se tratando de qualquer outra universidade, as possibilidades poderiam ser muito menores... Mas em se tratando de UFSB, a inclusão é prioridade e, sim, todos têm sua chance.
Fico grata por participar da construção de uma sociedade mais justa, mediante reparações como essa - e tantas outras dentro da própria UFSB - e aprendendo a cultivar o respeito e a convivência com a miscigenação, que compõe a sociedade brasileira há tantos séculos e, ainda assim, causa desconfortos para tantos que dela não sabem apreender as mais básicas lições.
Por fim, retorno às perspectivas. Precisamos tê-las como diretrizes para nossos caminhos futuros... Precisamos da força motriz que é a esperança na melhora. E, diante das injustiças sociais, há de se persistir. Afinal, como (muito bem) dito pelo inigualável Charles Chaplin, "a persistência é o caminho para o êxito".
Com a visita aos colégios, objetivamos transpassar alguma esperança e alternativa para aqueles que acreditam estar obrigatoriamente excluídos de todos os setores possíveis dentro de nossa sociedade.
Com isso, foi gratificante vê-los perceber que ainda há alternativas, ainda há caminhos, ainda há possibilidades, ainda há muita vida e muitos novos planos e objetivos a traçar e vencer. Despindo-se do ceticismo e da inércia, muitos vieram a mim depois da apresentação e tiraram suas dúvidas... " Uma Universidade federal? E eu realmente tenho chance?" Em se tratando de qualquer outra universidade, as possibilidades poderiam ser muito menores... Mas em se tratando de UFSB, a inclusão é prioridade e, sim, todos têm sua chance.
Fico grata por participar da construção de uma sociedade mais justa, mediante reparações como essa - e tantas outras dentro da própria UFSB - e aprendendo a cultivar o respeito e a convivência com a miscigenação, que compõe a sociedade brasileira há tantos séculos e, ainda assim, causa desconfortos para tantos que dela não sabem apreender as mais básicas lições.
Por fim, retorno às perspectivas. Precisamos tê-las como diretrizes para nossos caminhos futuros... Precisamos da força motriz que é a esperança na melhora. E, diante das injustiças sociais, há de se persistir. Afinal, como (muito bem) dito pelo inigualável Charles Chaplin, "a persistência é o caminho para o êxito".

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