quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Reflexão Consciência Negra

 O preconceito e a discriminação têm origens coloniais, fundamentando-se no sistema segregacionista e excludente instituído no território brasileiro nesse período de sua história e perdurando até a atualidade.
     Muitas foram as transições dentro desse espaço de tempo, todavia as marcas ideológicas fincadas na sociedade permaneceram, fazendo-se nocivas ao crescimento do país e à valorização e reconhecimento de sua real identidade – fundamentalmente formada pela miscigenação e riqueza no âmbito cultural.
      O preconceito racial no Brasil, uma herança dos colonizadores europeus, tem sua origem no período colonial, quando a cor da pele humana significava mais do que a variabilidade genética: significava o direito à liberdade – ou a ausência dele. Desde então, manteve-se a mentalidade de que pessoas de descendência negra são socialmente inferiores, incapazes de realizar as mesmas funções que os brancos ou ocupar as mesmas posições dentro da sociedade.
       Desse modo, séculos da história brasileira foram marcados pela segregação social aliada à discriminação irracional e impiedosa de pessoas inocentes, cujo único erro seria possuir uma etnia diferente dos padrões europeus. É válido ressaltar, todavia, que tais características físicas são fruto pura e simplesmente da localização geográfica e condições climáticas dos continentes de origem dessas pessoas, logo a divisão de raças e a submissão que se promove na sociedade são preceitos errôneos, oriundos do senso comum e de crenças obsoletas que compõem um conhecimento acrítico e fragmentado. Consequentemente, instaurou-se na sociedade brasileira o conceito de inferioridade negra, o qual perdura até a atualidade, podendo ser evidenciado principalmente no que diz respeito ao difícil acesso no mercado de trabalho, aos elevados índices de desemprego, bem como as precariedades no âmbito educacional.
    Nesse contexto, é deveras importante recordar e celebrar a importância da valorização da cultura negra e entender as injustiças históricas que se fundamentaram – e gradativamente se acentuam – no seio de nossa sociedade, desde a colonização.
       Através do Evento realizado dia 20 de Novembro (Dia da Consciência negra, cujo simbolismo provém da data de morte de Zumbi dos Palmares), pudemos discutir as problemáticas atreladas à população negra em nosso país. Com o filme A negação do Brasil, pudemos perceber a influência midiática no ideário da população acerca do papel dos negros socialmente. O manifesto de atores negros, contrários à difusão das ideologias e preconceitos vigentes enraizados nas mentes elitizadas transpassados aos telespectadores, mostra-se indubitavelmente válido e digno de congratulações. Necessita-se reescrever também esses roteiros – fictícios ou não – de forma mais igualitária e muito menos preconceituosa. A mudança nos hábitos e paradigmas opressores começa a partir da difusão de ideias mais positivas e inclusivas, embasadas em igualdade, respeito e criticidade.


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Encontro 03 - Vocacional Saúde

        No terceiro encontro de nosso Vocacional, tivemos o texto ‘Abordagens contemporâneas do conceito de saúde’, de Carlos Baristella, como leitura obrigatória.
        Iniciamos a aula relembrando algumas de nossas expectativas explicitadas no primeiro encontro. Para amenizar as nossas inquietações, assistimos a um vídeo do Steve Jobs relatando sua história de vida e a mensagem de perseverança, confiança e fé no futuro era evidente. (Moral da história: Be hungry, be foolish!) Em seguida, a professora Gabriela nos expôs um trabalho denominado “Discurso do Sujeito Coletivo”, realizado a partir de nossas próprias definições acerca do conceito de saúde, também decorrentes do primeiro encontro. Esse trabalho é uma espécie de compilação de opiniões semelhantes – semanticamente – convergindo na composição de um só discurso. É uma espécie de ‘uníssono textual’: várias vozes compondo um mesmo texto, que, no fim das contas, realmente parece ser oriundo de um único sujeito (coletivo).
        Ademais, assistimos vídeos retratando a noção do conceito ampliado de saúde e refletimos ainda mais no intuito de construir acepções nossas, tão completas e abrangentes quanto possível.
        No segundo momento da nossa aula, tivemos o primeiro contato com o método PBL (a ser trabalhado no BI e no curso de Medicina, no segundo ciclo). Nesse contexto, nos reunimos em nossos grupos estabelecidos para o Módulo 1 e tivemos que discutir acerca do caso de Dona Ismênia. Buscar uma vertente do conceito de saúde para analisá-lo no caso em específico, discutir a dualidade saúde x doença na família, tentar solucionar os problemas da família com algumas intervenções e medidas hipotéticas (não fora exigido o aprofundamento no caso, apenas uma análise superficial, mas que abarcasse todos os conteúdos trabalhados até então).

        Particularmente falando, o método me apetece bastante porque parece integrar a teoria à prática de forma mais natural e realista. Partindo do pressuposto de que posteriormente teremos casos reais para lidar e buscar solucionar, nada mais apropriado do que começar a fazê-lo de forma hipotética e quase despretensiosa, não percebendo o quanto podemos evoluir em diagnósticos e prognósticos com esses exercícios.

Encontro 02 - Vocacional Saúde

        Em nosso segundo encontro no Vocacional, a professora Gabriela propôs que fizéssemos a leitura do texto 'Saúde, doença e cuidado: complexidade teórica e necessidade histórica', de Carlos Baristella. Fomos previamente separados em grupos cuja responsabilidade atribuída fora explanar/apresentar os conceitos de saúde e doença inerentes a cada período histórico.
        O grupo que compus, juntamente com os colegas Olavo, Karyna e Gabriela, abordou o conceito de saúde desde a Pré-história até a Civilização Romana. Realizando pesquisas acerca da Medicina Romana – a parte que me coube, dentro do grupo – várias peculiaridades me chamaram atenção, como a presença de “esboços” de especializações entre os médicos romanos, a importância já atribuída ao sanitarismo, ao início da composição de uma valorosa literatura médica e os medicamentos (muitos compostos por ervas) mais comuns nesse período. Ademais, exibimos um pequeno trecho do documentário: Inventos da Antiguidade - Medicina Primitiva (History Channel).
        A partir das demais apresentações, pude perceber a significação do contexto histórico também para a atribuição e delimitação do conceito de saúde. Cada sociedade, no decorrer do tempo e espaço, possui necessidades específicas e deveras peculiares, na maioria das vezes. Logo, é perceptível a efemeridade de cada definição que tange à saúde, sendo sempre necessária a renovação e a atualização dessa definição. O que nos permite dizer que em se tratando de saúde, não há um único conceito, absoluto e imutável; há conceitos infindos, que surgem e permanecem (ou não) e auxiliam no entendimento das práticas e acepções de saúde, atendendo às particularidades de cada período, sociedade, cultura e localidade.

Encontro 01 - Vocacional Saúde

        Nesse primeiro encontro, pudemos conhecer a professora Gabriela e praticamente todos os discentes do BI-Saúde. Para dinamizar as apresentações, a professora nos propôs uma dinâmica utilizando um barbante. Conforme cada um de nós foi se apresentando, uma teia ia gradativamente se compondo.
        Essa dinâmica mostrou-se muito perspicaz no entendimento de que devemos manter a união e a integração em nossa turma e, além dela, quando atuarmos nas práticas de saúde. Se não mantivermos nossos ideais individuais em harmonia, a teia afrouxa e todo o trabalho coletivo colocar-se-á em risco de insucesso.
 A professora Gabriela propôs que escrevêssemos um breve comentário respondendo “O que é saúde para você?”. Meu conceito fora, propositalmente, menos técnico e permeado de saberes específicos da saúde. Busquei discorrer de forma essencialmente subjetiva, não dispensando, todavia, certos conceitos mais objetivos e concretos.

        No segundo momento de nossa aula, assistimos a uma explanação acerca do segundo ciclo e de algumas definições do curso de Medicina – sabidamente, o objetivo da maioria. Dúvidas foram sanadas, outras surgiram (e ainda surgirão) e tivemos um ótimo bate-papo com o Decano do IHAC e coordenador do BI Saúde em nosso campus, Antônio José Costa Cardoso.



quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Saúde: uma definição ilimitada


         Primeiramente, é digno de menção: a meu ver, o conceito de saúde nunca será inteiramente completo, mesmo que infindas definições lhe sejam acrescidas. Tal constatação decorre, principalmente, dos debates e explanações realizados em aula até então. Cada um adota uma visão ao falar de saúde e, por mais contrastantes que pareçam, essas visões nunca se subtraem, apenas agregam valores, significação e veracidade umas às outras.
         Lembro-me que durante o primeiro encontro fui muito menos categórica e técnica ao explanar minha definição de ‘saúde’. Busquei a subjetividade. Esse é um dos vieses que penso ter deveras importância e que poucos buscam enxergar de fato. No entanto, a essa subjetividade eu acresceria também inúmeras visões complementares, dentre as quais: o biopsicossocial, a busca incansável, as funcionalidades biológicas e o conceito de equilíbrio.
         Devo ressaltar também que me encantou o Discurso do Sujeito Coletivo. Acredito que esse exercício traduza de maneira exemplar a edificação do conceito de saúde: um uníssono de concepções que se debatem, se integram, se aprimoram, se contemplam, se validam, se revigoram, se ampliam, se associam ou dissociam. Desse modo, percebe-se ainda mais a potencialização da verossimilhança do conceito.

         Logo, minha acepção de saúde é um reflexo da incapacidade de defini-la em sua completude – ou buscar completude para defini-la –, englobando todos os âmbitos imprescindíveis acerca dela. Li, certa vez, esta frase: “quando escrevo liberdade, condeno a palavra à oração perpétua”. Parafraseando-a, condenaria o conceito de saúde à doença da ignor(ânsia) se o limitasse. E, ademais, vejo que a questão central não se limita à elucidação: demasiada importância deve ser atribuída à vivência! Por fim, há uma frase oriunda de minha primeira reflexão que continua pertinente e cuja veracidade me parece tão simples quanto lúcida: “A SAÚDE é a sua própria manifestação de pequenas lutas diárias em seu nome.”. 


(Natália Oliveira)