O
preconceito e a discriminação têm origens coloniais, fundamentando-se no
sistema segregacionista e excludente instituído no território brasileiro nesse
período de sua história e perdurando até a atualidade.
Muitas foram as transições dentro desse
espaço de tempo, todavia as marcas ideológicas fincadas na sociedade
permaneceram, fazendo-se nocivas ao crescimento do país e à valorização e
reconhecimento de sua real identidade – fundamentalmente formada pela
miscigenação e riqueza no âmbito cultural.
O preconceito racial no Brasil, uma
herança dos colonizadores europeus, tem sua origem no período colonial, quando
a cor da pele humana significava mais do que a variabilidade genética:
significava o direito à liberdade – ou a ausência dele. Desde então, manteve-se
a mentalidade de que pessoas de descendência negra são socialmente inferiores,
incapazes de realizar as mesmas funções que os brancos ou ocupar as mesmas
posições dentro da sociedade.
Desse modo, séculos da história
brasileira foram marcados pela segregação social aliada à discriminação
irracional e impiedosa de pessoas inocentes, cujo único erro seria possuir uma
etnia diferente dos padrões europeus. É válido ressaltar, todavia, que tais
características físicas são fruto pura e simplesmente da localização geográfica
e condições climáticas dos continentes de origem dessas pessoas, logo a divisão
de raças e a submissão que se promove na sociedade são preceitos errôneos, oriundos
do senso comum e de crenças obsoletas que compõem um conhecimento acrítico e
fragmentado. Consequentemente, instaurou-se na sociedade brasileira o conceito
de inferioridade negra, o qual perdura até a atualidade, podendo ser
evidenciado principalmente no que diz respeito ao difícil acesso no mercado de
trabalho, aos elevados índices de desemprego, bem como as precariedades no
âmbito educacional.
Nesse
contexto, é deveras importante recordar e celebrar a importância da valorização
da cultura negra e entender as injustiças históricas que se fundamentaram – e
gradativamente se acentuam – no seio de nossa sociedade, desde a colonização.
Através do Evento realizado dia 20 de Novembro (Dia da
Consciência negra, cujo simbolismo provém da data de morte de Zumbi dos
Palmares), pudemos discutir as problemáticas atreladas à população negra em
nosso país. Com o filme A negação do Brasil, pudemos perceber a influência
midiática no ideário da população acerca do papel dos negros socialmente. O
manifesto de atores negros, contrários à difusão das ideologias e preconceitos
vigentes enraizados nas mentes elitizadas transpassados aos telespectadores,
mostra-se indubitavelmente válido e digno de congratulações. Necessita-se
reescrever também esses roteiros – fictícios ou não – de forma mais igualitária
e muito menos preconceituosa. A mudança nos hábitos e paradigmas opressores
começa a partir da difusão de ideias mais positivas e inclusivas, embasadas em
igualdade, respeito e criticidade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário