domingo, 7 de dezembro de 2014

Postagem Final

       Chegado o fim de mais um ciclo, é incrível olhar para trás e perceber nossa evolução, tanto no componente quanto nas vivências proporcionadas pelo componente. Lembro-me de ter escrito, a pedido da prof. Penha, uma breve reflexão sobre a importância (na minha opinião) desse componente em nossa vida, principalmente no âmbito acadêmico e profissional, futuramente.
       Apesar de estar certa em minhas constatações, acho que o componente transcendeu e está além de qualquer expectativa ou vislumbre que eu poderia ter tido no início do quadrimestre. Nunca pensei ser possível “ensinar sensibilidade”. Não só é possível como necessário!
       É engraçado interpretar e analisar até mesmo as metodologias adversas adotas pelas duas professoras que tivemos. Enquanto Penha enfocava a sensibilidade enquanto vivência e liberdade, Fabi buscava disciplinar, de certo modo, nossa sensibilidade e, dessa forma, ser sensível mesmo quando nos exigem disciplina e conteúdos. Até nisso tivemos sorte! Foi fantástico lidar com o mesmo componente sob vieses tão distintos e únicos, cada um a seu modo e sua personalidade.
       Nesse ínterim, volto a ratificar a importância desse componente: a sensibilidade que soubemos e pudemos construir, por assim dizer, nos acompanhará em todo e qualquer aspecto de nossas vidas. Não se pode ser nada nessa vida se não formos, antes de tudo, seres sensíveis e aptos a lidar com o emocional e encaixá-lo nos vários âmbitos das vivências.

       Em suma, lidar com esse componente foi uma dádiva! Não consigo me enxergar sem as peculiaridades que apreendi e as minúcias que enxerguei quando me permiti ir além e ser, acima de tudo, muito mais sensível do que julguei ser possível apenas com um componente curricular na universidade. Por fim, gratidão e certeza de que a utilidade desses ensinamentos me acompanharão sempre. 

(Natália Oliveira)

Bandeira


       A confecção de nossa bandeira foi uma atividade realmente identitária e integradora, como todas as que realizamos enquanto ‘Turma 3’. A peculiaridade maior é: essa simbologia que criamos para nossa turma provém do próprio FIES. Aprendendo a lidar com sensibilidade, um de nossos colegas menos sensível (aparentemente) diz a célebre frase: “sou um beija-flor”. Foi um belo paradoxo e ninguém conseguiu levar isso a sério.
       A partir de então, ficou o bordão e o sentimento entre os beija-flores de nossa turma só cresceu e se aprimorou em união, excelência, diversão e solidariedade. O Fórum Interdisciplinar Experiências do Sensível foi o responsável (indiretamente), então por nos sensibilizar e aproximar ainda mais.
       Podem passar quadrimestres, componentes curriculares mais adversos de cada um para cada um, pode chegar o segundo ciclo, mas há uma certeza imutável que nos acompanhará: somos todos beija-flores. E é com essa certeza que encerramos esse ciclo, mas não encerramos nosso contato. Decerto, cultivamos belas amizades em nossa turma e a tendência é que elas cresçam e se solidifiquem cada vez mais, não importa o que aconteça futuramente. Se tivermos uns aos outros caminhando lado a lado, as vitórias virão, com o esforço e o mérito partilhados.
       Agradecimentos ao FIES, a Fabi, a turma 3 e, sobretudo, a UFSB por ter nos unido!

(Natália Oliveira)



Sombras

       Nessa atividade, pudemos realmente vivenciar a interdisciplinaridade na prática: noções de geografia numa aula de Experiências do Sensível. Inicialmente, confesso que não entendi a finalidade da realização desse trabalho. Entretanto, como sempre, há uma razão maior permeando a atividade e sempre nos surpreendemos com os resultados.
       Utilizamos sombras para fazer análises de conceitos geográficos, versando entre Copérnico, Keppler... E, até certo ponto da aula, a funcionalidade da atividade ainda não se mostrava clara. Foi então que, depois de algumas discussões e conceitos partilhados, chegamos a uma premissa básica: sombra é a ausência de luz.
       Nesse sentido, a atividade seguinte foi basicamente internalizar o conceito de sombra aos nossos sentidos: seguir um percurso de olhos fechados com alguém como guia. O curioso é que, no fim das contas, pudemos valorizar a importância da luz e de suas propriedades como norte de nossos sentidos. Só quem vive com os olhos ‘eternamente fechados’ sabe lidar tão bem com a ausência de luz, através dos sentidos aguçados, sentidos esses que nós tivemos que nos disciplinar para nos adequarmos à situação, sendo um tanto irritante sermos obrigados a fazê-lo.

       Por conseguinte, fica a indubitável valoração da luz e sua aplicabilidade nos vários âmbitos de nossas vidas. Humberto Gessinger costuma cantar : “toda vez que falta luz, o invisível nos salta aos olhos”. Para quem convive a vida inteira com a ‘falta de luz’, o invisível pode ser familiar. Mas para nós, altamente dependentes da luz, o invisível assusta e nos limita, de certa forma. São dois modos de ver (ou não ver) a mesma situação.  

(Natália Oliveira)

As águas


           O vídeo objetiva contemplar três vieses acerca da temática da água: sua multiplicidade de utilidades, atrelada ao ciclo hidrológico; o problema causado por sua ausência ou escassez; e uma interpretação lírica a ela associada.
       Na primeira parte do vídeo, a intencionalidade primeira é nortear a discussão da temática da água enfocando seu ciclo hidrológico, sua disponibilidade em nosso planeta e a influência e importância que dela decorrem na construção de sociedades e, de forma mais generalista, de nossa vida, afinal, somos 70% água.
       Através da música “Planeta Água – Guilherme Arantes” percebe-se o quão inestimável e essencial é a água para a manutenção da vida em nosso planeta. No entanto, apreendemos dela também a ideia de que a abundância desse recurso natural satisfaz e sempre satisfará nossas necessidades. Cabe destacar, então, que apenas cerca de 0,8% de toda água do planeta é potável e grande parte desse percentual encontra-se nas geleiras. Tendo esta constatação em vista, deveríamos reconhecer que a prudência e a razão deveriam nortear nosso consumo, todavia, não é o que ocorre – desperdiçamos muito mais do que utilizamos, no fim das contas. Nesse sentido, em nossas discussões em sala, buscamos destacar esse viés no intuito de repensar alguns atos e viabilizar/fomentar o uso consciente da água, a fim de preservar esse inestimável bem que a natureza nos disponibiliza de bom grado todos os dias, num ciclo.
       A segunda música, “Súplica Cearense – O Rappa”, evidencia as dificuldades quase intransponíveis que cercam as vidas daqueles que não têm acesso à água. Períodos de longas secas, rebanhos morrendo, ocupações profissionais escassas... Faz-se difícil trilhar uma vida num meio tão adverso. No entanto, assim o faz o nordestino. Buscando forças em Deus (em súplicas, lamentações, ladainhas...), o povo nordestino resiste com veemência. Por isso, nunca me envergonharei de ser nordestina: sê-lo me atribui ainda mais coragem e motivação perante quaisquer adversidades.

       A terceira e última música, “Santa Chuva – Marcelo Camelo”, foi escolhida para enfocar um viés um tanto mais lírico acerca da temática da água. Vários artistas se apropriam dessa vertente em suas criações e assim fez Camelo, com a singeleza e a beleza de sempre em suas composições. Valendo-se de figuras de linguagem, atribui à chuva uma significação, uma razão maior de ser (“Mas nada pode fazer se a chuva quer é trazer você pra mim”). Versa de forma simples e transpassa um sentido único em se tratando da água (ou especificamente da chuva).

(Natália Oliveira)

Folhas ao vento

       Minha descrição para a folha escolhida: folha grande, pouco espessa, com bastantes nervuras esbranquiçadas, de caule pouco espesso, com um formato especial que me lembra um coração. A folha encontra-se no ápice do caule. Altura mediana. Por conta de seu formato, também é chamada popularmente de “cara de cavalo”.

       Realizando essa atividade, pudemos apurar nossa habilidade descritiva e focar nossa atenção em minúcias que quase nunca (ou nunca) paramos para observar. Foi uma maneira lúdica de nos fazer enxergar o quão cegos somos em alguns aspectos. Através dos vídeos escolhidos pela professora Fabiana, reconhecemos a preciosidade de cada desabrochar de flores, a importância dos polinizadores (com direito a acontecimento épico que marcará sempre a turma 3, com Pedro e sua atuação: “sou um beija-flor”), a serenidade de cada coisa acontecendo em seu tempo. 

(Natália Oliveira)

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As duas flores (Castro Alves)

São duas flores unidas
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo,no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.


Unidas, bem como as penas
das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

Concerto

       Através da seleção de sons emitidas pelos mais variados animais, pude atribuir uma ressignficação ao som, no meu ponto de vista: comunicação. Com essa atividade, reparei que não enxergava nos sons – que não os humanos – um papel de comunicar e uma intencionalidade definida. O som que escolhi, o canto das baleias jubartes, tem finalidade reprodutiva, o que me surpreendeu. Nós, humanos, estamos tão ocupados com nossa mania de superioridade que, algumas vezes, possuímos crenças errôneas. Todos os sons na natureza têm inúmeras razões, razões pelas quais também atribuímos razões aos nossos sons. A compreensão de outras linguagens chega a ser epifânica!
       De maneira semelhante aos outros animais, fomos convidados a utilizar nosso corpos na emissão de sons e tentar obter harmonia no processo. Ficamos um tanto perdidos; o hábito de utilizar a fala na comunicação e na emissão de sons anuviou nossos sentidos e aptidões para a linguagem corporal, que emudece a fala, porém amplifica a significação de nossa comunicação instintiva.

       O título dessa atividade fora bastante sugestivo. Fez-me pensar na ideia de que estamos todos inseridos num imenso concerto, cujos sons variam de intencionalidade de ser para ser, mas nem por isso devem ser subjulgados ou negligenciados. Cada cantar de pássaros (ou baleias), cada rugido, grunhido, latido, miado, gemido, grito, sussurro... Cada som é importante e apresenta impactos biológicos, emocionais, instintivos. Cada som soma.

(Natália Oliveira)

Perspectivas

       É estranho imaginar que as pessoas não tenham planos ou perspectivas para o futuro "pós-colégio". Mas acontece. E com uma frequência mais desagradável do que gostaríamos.
       Com a visita aos colégios, objetivamos transpassar alguma esperança e alternativa para aqueles que acreditam estar obrigatoriamente excluídos de todos os setores possíveis dentro de nossa sociedade.
         Com isso, foi gratificante vê-los perceber que ainda há alternativas, ainda há caminhos, ainda há possibilidades, ainda há muita vida e muitos novos planos e objetivos a traçar e vencer. Despindo-se do ceticismo e da inércia, muitos vieram a mim depois da apresentação e tiraram suas dúvidas... " Uma Universidade federal? E eu realmente tenho chance?" Em se tratando de qualquer outra universidade, as possibilidades poderiam ser muito menores... Mas em se tratando de UFSB, a inclusão é prioridade e, sim, todos têm sua chance.
       Fico grata por participar da construção de uma sociedade mais justa, mediante reparações como essa - e tantas outras dentro da própria UFSB - e aprendendo a cultivar o respeito e a convivência com a miscigenação, que compõe a sociedade brasileira há tantos séculos e, ainda assim, causa desconfortos para tantos que dela não sabem apreender as mais básicas lições.
      Por fim, retorno às perspectivas. Precisamos tê-las como diretrizes para nossos caminhos futuros... Precisamos da força motriz que é a esperança na melhora. E, diante das injustiças sociais, há de se persistir. Afinal, como (muito bem) dito pelo inigualável Charles Chaplin, "a persistência é o caminho para o êxito".