domingo, 7 de dezembro de 2014

Concerto

       Através da seleção de sons emitidas pelos mais variados animais, pude atribuir uma ressignficação ao som, no meu ponto de vista: comunicação. Com essa atividade, reparei que não enxergava nos sons – que não os humanos – um papel de comunicar e uma intencionalidade definida. O som que escolhi, o canto das baleias jubartes, tem finalidade reprodutiva, o que me surpreendeu. Nós, humanos, estamos tão ocupados com nossa mania de superioridade que, algumas vezes, possuímos crenças errôneas. Todos os sons na natureza têm inúmeras razões, razões pelas quais também atribuímos razões aos nossos sons. A compreensão de outras linguagens chega a ser epifânica!
       De maneira semelhante aos outros animais, fomos convidados a utilizar nosso corpos na emissão de sons e tentar obter harmonia no processo. Ficamos um tanto perdidos; o hábito de utilizar a fala na comunicação e na emissão de sons anuviou nossos sentidos e aptidões para a linguagem corporal, que emudece a fala, porém amplifica a significação de nossa comunicação instintiva.

       O título dessa atividade fora bastante sugestivo. Fez-me pensar na ideia de que estamos todos inseridos num imenso concerto, cujos sons variam de intencionalidade de ser para ser, mas nem por isso devem ser subjulgados ou negligenciados. Cada cantar de pássaros (ou baleias), cada rugido, grunhido, latido, miado, gemido, grito, sussurro... Cada som é importante e apresenta impactos biológicos, emocionais, instintivos. Cada som soma.

(Natália Oliveira)

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