domingo, 7 de dezembro de 2014

Postagem Final

       Chegado o fim de mais um ciclo, é incrível olhar para trás e perceber nossa evolução, tanto no componente quanto nas vivências proporcionadas pelo componente. Lembro-me de ter escrito, a pedido da prof. Penha, uma breve reflexão sobre a importância (na minha opinião) desse componente em nossa vida, principalmente no âmbito acadêmico e profissional, futuramente.
       Apesar de estar certa em minhas constatações, acho que o componente transcendeu e está além de qualquer expectativa ou vislumbre que eu poderia ter tido no início do quadrimestre. Nunca pensei ser possível “ensinar sensibilidade”. Não só é possível como necessário!
       É engraçado interpretar e analisar até mesmo as metodologias adversas adotas pelas duas professoras que tivemos. Enquanto Penha enfocava a sensibilidade enquanto vivência e liberdade, Fabi buscava disciplinar, de certo modo, nossa sensibilidade e, dessa forma, ser sensível mesmo quando nos exigem disciplina e conteúdos. Até nisso tivemos sorte! Foi fantástico lidar com o mesmo componente sob vieses tão distintos e únicos, cada um a seu modo e sua personalidade.
       Nesse ínterim, volto a ratificar a importância desse componente: a sensibilidade que soubemos e pudemos construir, por assim dizer, nos acompanhará em todo e qualquer aspecto de nossas vidas. Não se pode ser nada nessa vida se não formos, antes de tudo, seres sensíveis e aptos a lidar com o emocional e encaixá-lo nos vários âmbitos das vivências.

       Em suma, lidar com esse componente foi uma dádiva! Não consigo me enxergar sem as peculiaridades que apreendi e as minúcias que enxerguei quando me permiti ir além e ser, acima de tudo, muito mais sensível do que julguei ser possível apenas com um componente curricular na universidade. Por fim, gratidão e certeza de que a utilidade desses ensinamentos me acompanharão sempre. 

(Natália Oliveira)

Bandeira


       A confecção de nossa bandeira foi uma atividade realmente identitária e integradora, como todas as que realizamos enquanto ‘Turma 3’. A peculiaridade maior é: essa simbologia que criamos para nossa turma provém do próprio FIES. Aprendendo a lidar com sensibilidade, um de nossos colegas menos sensível (aparentemente) diz a célebre frase: “sou um beija-flor”. Foi um belo paradoxo e ninguém conseguiu levar isso a sério.
       A partir de então, ficou o bordão e o sentimento entre os beija-flores de nossa turma só cresceu e se aprimorou em união, excelência, diversão e solidariedade. O Fórum Interdisciplinar Experiências do Sensível foi o responsável (indiretamente), então por nos sensibilizar e aproximar ainda mais.
       Podem passar quadrimestres, componentes curriculares mais adversos de cada um para cada um, pode chegar o segundo ciclo, mas há uma certeza imutável que nos acompanhará: somos todos beija-flores. E é com essa certeza que encerramos esse ciclo, mas não encerramos nosso contato. Decerto, cultivamos belas amizades em nossa turma e a tendência é que elas cresçam e se solidifiquem cada vez mais, não importa o que aconteça futuramente. Se tivermos uns aos outros caminhando lado a lado, as vitórias virão, com o esforço e o mérito partilhados.
       Agradecimentos ao FIES, a Fabi, a turma 3 e, sobretudo, a UFSB por ter nos unido!

(Natália Oliveira)



Sombras

       Nessa atividade, pudemos realmente vivenciar a interdisciplinaridade na prática: noções de geografia numa aula de Experiências do Sensível. Inicialmente, confesso que não entendi a finalidade da realização desse trabalho. Entretanto, como sempre, há uma razão maior permeando a atividade e sempre nos surpreendemos com os resultados.
       Utilizamos sombras para fazer análises de conceitos geográficos, versando entre Copérnico, Keppler... E, até certo ponto da aula, a funcionalidade da atividade ainda não se mostrava clara. Foi então que, depois de algumas discussões e conceitos partilhados, chegamos a uma premissa básica: sombra é a ausência de luz.
       Nesse sentido, a atividade seguinte foi basicamente internalizar o conceito de sombra aos nossos sentidos: seguir um percurso de olhos fechados com alguém como guia. O curioso é que, no fim das contas, pudemos valorizar a importância da luz e de suas propriedades como norte de nossos sentidos. Só quem vive com os olhos ‘eternamente fechados’ sabe lidar tão bem com a ausência de luz, através dos sentidos aguçados, sentidos esses que nós tivemos que nos disciplinar para nos adequarmos à situação, sendo um tanto irritante sermos obrigados a fazê-lo.

       Por conseguinte, fica a indubitável valoração da luz e sua aplicabilidade nos vários âmbitos de nossas vidas. Humberto Gessinger costuma cantar : “toda vez que falta luz, o invisível nos salta aos olhos”. Para quem convive a vida inteira com a ‘falta de luz’, o invisível pode ser familiar. Mas para nós, altamente dependentes da luz, o invisível assusta e nos limita, de certa forma. São dois modos de ver (ou não ver) a mesma situação.  

(Natália Oliveira)

As águas


           O vídeo objetiva contemplar três vieses acerca da temática da água: sua multiplicidade de utilidades, atrelada ao ciclo hidrológico; o problema causado por sua ausência ou escassez; e uma interpretação lírica a ela associada.
       Na primeira parte do vídeo, a intencionalidade primeira é nortear a discussão da temática da água enfocando seu ciclo hidrológico, sua disponibilidade em nosso planeta e a influência e importância que dela decorrem na construção de sociedades e, de forma mais generalista, de nossa vida, afinal, somos 70% água.
       Através da música “Planeta Água – Guilherme Arantes” percebe-se o quão inestimável e essencial é a água para a manutenção da vida em nosso planeta. No entanto, apreendemos dela também a ideia de que a abundância desse recurso natural satisfaz e sempre satisfará nossas necessidades. Cabe destacar, então, que apenas cerca de 0,8% de toda água do planeta é potável e grande parte desse percentual encontra-se nas geleiras. Tendo esta constatação em vista, deveríamos reconhecer que a prudência e a razão deveriam nortear nosso consumo, todavia, não é o que ocorre – desperdiçamos muito mais do que utilizamos, no fim das contas. Nesse sentido, em nossas discussões em sala, buscamos destacar esse viés no intuito de repensar alguns atos e viabilizar/fomentar o uso consciente da água, a fim de preservar esse inestimável bem que a natureza nos disponibiliza de bom grado todos os dias, num ciclo.
       A segunda música, “Súplica Cearense – O Rappa”, evidencia as dificuldades quase intransponíveis que cercam as vidas daqueles que não têm acesso à água. Períodos de longas secas, rebanhos morrendo, ocupações profissionais escassas... Faz-se difícil trilhar uma vida num meio tão adverso. No entanto, assim o faz o nordestino. Buscando forças em Deus (em súplicas, lamentações, ladainhas...), o povo nordestino resiste com veemência. Por isso, nunca me envergonharei de ser nordestina: sê-lo me atribui ainda mais coragem e motivação perante quaisquer adversidades.

       A terceira e última música, “Santa Chuva – Marcelo Camelo”, foi escolhida para enfocar um viés um tanto mais lírico acerca da temática da água. Vários artistas se apropriam dessa vertente em suas criações e assim fez Camelo, com a singeleza e a beleza de sempre em suas composições. Valendo-se de figuras de linguagem, atribui à chuva uma significação, uma razão maior de ser (“Mas nada pode fazer se a chuva quer é trazer você pra mim”). Versa de forma simples e transpassa um sentido único em se tratando da água (ou especificamente da chuva).

(Natália Oliveira)

Folhas ao vento

       Minha descrição para a folha escolhida: folha grande, pouco espessa, com bastantes nervuras esbranquiçadas, de caule pouco espesso, com um formato especial que me lembra um coração. A folha encontra-se no ápice do caule. Altura mediana. Por conta de seu formato, também é chamada popularmente de “cara de cavalo”.

       Realizando essa atividade, pudemos apurar nossa habilidade descritiva e focar nossa atenção em minúcias que quase nunca (ou nunca) paramos para observar. Foi uma maneira lúdica de nos fazer enxergar o quão cegos somos em alguns aspectos. Através dos vídeos escolhidos pela professora Fabiana, reconhecemos a preciosidade de cada desabrochar de flores, a importância dos polinizadores (com direito a acontecimento épico que marcará sempre a turma 3, com Pedro e sua atuação: “sou um beija-flor”), a serenidade de cada coisa acontecendo em seu tempo. 

(Natália Oliveira)

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As duas flores (Castro Alves)

São duas flores unidas
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo,no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.


Unidas, bem como as penas
das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

Concerto

       Através da seleção de sons emitidas pelos mais variados animais, pude atribuir uma ressignficação ao som, no meu ponto de vista: comunicação. Com essa atividade, reparei que não enxergava nos sons – que não os humanos – um papel de comunicar e uma intencionalidade definida. O som que escolhi, o canto das baleias jubartes, tem finalidade reprodutiva, o que me surpreendeu. Nós, humanos, estamos tão ocupados com nossa mania de superioridade que, algumas vezes, possuímos crenças errôneas. Todos os sons na natureza têm inúmeras razões, razões pelas quais também atribuímos razões aos nossos sons. A compreensão de outras linguagens chega a ser epifânica!
       De maneira semelhante aos outros animais, fomos convidados a utilizar nosso corpos na emissão de sons e tentar obter harmonia no processo. Ficamos um tanto perdidos; o hábito de utilizar a fala na comunicação e na emissão de sons anuviou nossos sentidos e aptidões para a linguagem corporal, que emudece a fala, porém amplifica a significação de nossa comunicação instintiva.

       O título dessa atividade fora bastante sugestivo. Fez-me pensar na ideia de que estamos todos inseridos num imenso concerto, cujos sons variam de intencionalidade de ser para ser, mas nem por isso devem ser subjulgados ou negligenciados. Cada cantar de pássaros (ou baleias), cada rugido, grunhido, latido, miado, gemido, grito, sussurro... Cada som é importante e apresenta impactos biológicos, emocionais, instintivos. Cada som soma.

(Natália Oliveira)

Perspectivas

       É estranho imaginar que as pessoas não tenham planos ou perspectivas para o futuro "pós-colégio". Mas acontece. E com uma frequência mais desagradável do que gostaríamos.
       Com a visita aos colégios, objetivamos transpassar alguma esperança e alternativa para aqueles que acreditam estar obrigatoriamente excluídos de todos os setores possíveis dentro de nossa sociedade.
         Com isso, foi gratificante vê-los perceber que ainda há alternativas, ainda há caminhos, ainda há possibilidades, ainda há muita vida e muitos novos planos e objetivos a traçar e vencer. Despindo-se do ceticismo e da inércia, muitos vieram a mim depois da apresentação e tiraram suas dúvidas... " Uma Universidade federal? E eu realmente tenho chance?" Em se tratando de qualquer outra universidade, as possibilidades poderiam ser muito menores... Mas em se tratando de UFSB, a inclusão é prioridade e, sim, todos têm sua chance.
       Fico grata por participar da construção de uma sociedade mais justa, mediante reparações como essa - e tantas outras dentro da própria UFSB - e aprendendo a cultivar o respeito e a convivência com a miscigenação, que compõe a sociedade brasileira há tantos séculos e, ainda assim, causa desconfortos para tantos que dela não sabem apreender as mais básicas lições.
      Por fim, retorno às perspectivas. Precisamos tê-las como diretrizes para nossos caminhos futuros... Precisamos da força motriz que é a esperança na melhora. E, diante das injustiças sociais, há de se persistir. Afinal, como (muito bem) dito pelo inigualável Charles Chaplin, "a persistência é o caminho para o êxito".
     

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Reflexão Consciência Negra

 O preconceito e a discriminação têm origens coloniais, fundamentando-se no sistema segregacionista e excludente instituído no território brasileiro nesse período de sua história e perdurando até a atualidade.
     Muitas foram as transições dentro desse espaço de tempo, todavia as marcas ideológicas fincadas na sociedade permaneceram, fazendo-se nocivas ao crescimento do país e à valorização e reconhecimento de sua real identidade – fundamentalmente formada pela miscigenação e riqueza no âmbito cultural.
      O preconceito racial no Brasil, uma herança dos colonizadores europeus, tem sua origem no período colonial, quando a cor da pele humana significava mais do que a variabilidade genética: significava o direito à liberdade – ou a ausência dele. Desde então, manteve-se a mentalidade de que pessoas de descendência negra são socialmente inferiores, incapazes de realizar as mesmas funções que os brancos ou ocupar as mesmas posições dentro da sociedade.
       Desse modo, séculos da história brasileira foram marcados pela segregação social aliada à discriminação irracional e impiedosa de pessoas inocentes, cujo único erro seria possuir uma etnia diferente dos padrões europeus. É válido ressaltar, todavia, que tais características físicas são fruto pura e simplesmente da localização geográfica e condições climáticas dos continentes de origem dessas pessoas, logo a divisão de raças e a submissão que se promove na sociedade são preceitos errôneos, oriundos do senso comum e de crenças obsoletas que compõem um conhecimento acrítico e fragmentado. Consequentemente, instaurou-se na sociedade brasileira o conceito de inferioridade negra, o qual perdura até a atualidade, podendo ser evidenciado principalmente no que diz respeito ao difícil acesso no mercado de trabalho, aos elevados índices de desemprego, bem como as precariedades no âmbito educacional.
    Nesse contexto, é deveras importante recordar e celebrar a importância da valorização da cultura negra e entender as injustiças históricas que se fundamentaram – e gradativamente se acentuam – no seio de nossa sociedade, desde a colonização.
       Através do Evento realizado dia 20 de Novembro (Dia da Consciência negra, cujo simbolismo provém da data de morte de Zumbi dos Palmares), pudemos discutir as problemáticas atreladas à população negra em nosso país. Com o filme A negação do Brasil, pudemos perceber a influência midiática no ideário da população acerca do papel dos negros socialmente. O manifesto de atores negros, contrários à difusão das ideologias e preconceitos vigentes enraizados nas mentes elitizadas transpassados aos telespectadores, mostra-se indubitavelmente válido e digno de congratulações. Necessita-se reescrever também esses roteiros – fictícios ou não – de forma mais igualitária e muito menos preconceituosa. A mudança nos hábitos e paradigmas opressores começa a partir da difusão de ideias mais positivas e inclusivas, embasadas em igualdade, respeito e criticidade.


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Encontro 03 - Vocacional Saúde

        No terceiro encontro de nosso Vocacional, tivemos o texto ‘Abordagens contemporâneas do conceito de saúde’, de Carlos Baristella, como leitura obrigatória.
        Iniciamos a aula relembrando algumas de nossas expectativas explicitadas no primeiro encontro. Para amenizar as nossas inquietações, assistimos a um vídeo do Steve Jobs relatando sua história de vida e a mensagem de perseverança, confiança e fé no futuro era evidente. (Moral da história: Be hungry, be foolish!) Em seguida, a professora Gabriela nos expôs um trabalho denominado “Discurso do Sujeito Coletivo”, realizado a partir de nossas próprias definições acerca do conceito de saúde, também decorrentes do primeiro encontro. Esse trabalho é uma espécie de compilação de opiniões semelhantes – semanticamente – convergindo na composição de um só discurso. É uma espécie de ‘uníssono textual’: várias vozes compondo um mesmo texto, que, no fim das contas, realmente parece ser oriundo de um único sujeito (coletivo).
        Ademais, assistimos vídeos retratando a noção do conceito ampliado de saúde e refletimos ainda mais no intuito de construir acepções nossas, tão completas e abrangentes quanto possível.
        No segundo momento da nossa aula, tivemos o primeiro contato com o método PBL (a ser trabalhado no BI e no curso de Medicina, no segundo ciclo). Nesse contexto, nos reunimos em nossos grupos estabelecidos para o Módulo 1 e tivemos que discutir acerca do caso de Dona Ismênia. Buscar uma vertente do conceito de saúde para analisá-lo no caso em específico, discutir a dualidade saúde x doença na família, tentar solucionar os problemas da família com algumas intervenções e medidas hipotéticas (não fora exigido o aprofundamento no caso, apenas uma análise superficial, mas que abarcasse todos os conteúdos trabalhados até então).

        Particularmente falando, o método me apetece bastante porque parece integrar a teoria à prática de forma mais natural e realista. Partindo do pressuposto de que posteriormente teremos casos reais para lidar e buscar solucionar, nada mais apropriado do que começar a fazê-lo de forma hipotética e quase despretensiosa, não percebendo o quanto podemos evoluir em diagnósticos e prognósticos com esses exercícios.

Encontro 02 - Vocacional Saúde

        Em nosso segundo encontro no Vocacional, a professora Gabriela propôs que fizéssemos a leitura do texto 'Saúde, doença e cuidado: complexidade teórica e necessidade histórica', de Carlos Baristella. Fomos previamente separados em grupos cuja responsabilidade atribuída fora explanar/apresentar os conceitos de saúde e doença inerentes a cada período histórico.
        O grupo que compus, juntamente com os colegas Olavo, Karyna e Gabriela, abordou o conceito de saúde desde a Pré-história até a Civilização Romana. Realizando pesquisas acerca da Medicina Romana – a parte que me coube, dentro do grupo – várias peculiaridades me chamaram atenção, como a presença de “esboços” de especializações entre os médicos romanos, a importância já atribuída ao sanitarismo, ao início da composição de uma valorosa literatura médica e os medicamentos (muitos compostos por ervas) mais comuns nesse período. Ademais, exibimos um pequeno trecho do documentário: Inventos da Antiguidade - Medicina Primitiva (History Channel).
        A partir das demais apresentações, pude perceber a significação do contexto histórico também para a atribuição e delimitação do conceito de saúde. Cada sociedade, no decorrer do tempo e espaço, possui necessidades específicas e deveras peculiares, na maioria das vezes. Logo, é perceptível a efemeridade de cada definição que tange à saúde, sendo sempre necessária a renovação e a atualização dessa definição. O que nos permite dizer que em se tratando de saúde, não há um único conceito, absoluto e imutável; há conceitos infindos, que surgem e permanecem (ou não) e auxiliam no entendimento das práticas e acepções de saúde, atendendo às particularidades de cada período, sociedade, cultura e localidade.

Encontro 01 - Vocacional Saúde

        Nesse primeiro encontro, pudemos conhecer a professora Gabriela e praticamente todos os discentes do BI-Saúde. Para dinamizar as apresentações, a professora nos propôs uma dinâmica utilizando um barbante. Conforme cada um de nós foi se apresentando, uma teia ia gradativamente se compondo.
        Essa dinâmica mostrou-se muito perspicaz no entendimento de que devemos manter a união e a integração em nossa turma e, além dela, quando atuarmos nas práticas de saúde. Se não mantivermos nossos ideais individuais em harmonia, a teia afrouxa e todo o trabalho coletivo colocar-se-á em risco de insucesso.
 A professora Gabriela propôs que escrevêssemos um breve comentário respondendo “O que é saúde para você?”. Meu conceito fora, propositalmente, menos técnico e permeado de saberes específicos da saúde. Busquei discorrer de forma essencialmente subjetiva, não dispensando, todavia, certos conceitos mais objetivos e concretos.

        No segundo momento de nossa aula, assistimos a uma explanação acerca do segundo ciclo e de algumas definições do curso de Medicina – sabidamente, o objetivo da maioria. Dúvidas foram sanadas, outras surgiram (e ainda surgirão) e tivemos um ótimo bate-papo com o Decano do IHAC e coordenador do BI Saúde em nosso campus, Antônio José Costa Cardoso.



quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Saúde: uma definição ilimitada


         Primeiramente, é digno de menção: a meu ver, o conceito de saúde nunca será inteiramente completo, mesmo que infindas definições lhe sejam acrescidas. Tal constatação decorre, principalmente, dos debates e explanações realizados em aula até então. Cada um adota uma visão ao falar de saúde e, por mais contrastantes que pareçam, essas visões nunca se subtraem, apenas agregam valores, significação e veracidade umas às outras.
         Lembro-me que durante o primeiro encontro fui muito menos categórica e técnica ao explanar minha definição de ‘saúde’. Busquei a subjetividade. Esse é um dos vieses que penso ter deveras importância e que poucos buscam enxergar de fato. No entanto, a essa subjetividade eu acresceria também inúmeras visões complementares, dentre as quais: o biopsicossocial, a busca incansável, as funcionalidades biológicas e o conceito de equilíbrio.
         Devo ressaltar também que me encantou o Discurso do Sujeito Coletivo. Acredito que esse exercício traduza de maneira exemplar a edificação do conceito de saúde: um uníssono de concepções que se debatem, se integram, se aprimoram, se contemplam, se validam, se revigoram, se ampliam, se associam ou dissociam. Desse modo, percebe-se ainda mais a potencialização da verossimilhança do conceito.

         Logo, minha acepção de saúde é um reflexo da incapacidade de defini-la em sua completude – ou buscar completude para defini-la –, englobando todos os âmbitos imprescindíveis acerca dela. Li, certa vez, esta frase: “quando escrevo liberdade, condeno a palavra à oração perpétua”. Parafraseando-a, condenaria o conceito de saúde à doença da ignor(ânsia) se o limitasse. E, ademais, vejo que a questão central não se limita à elucidação: demasiada importância deve ser atribuída à vivência! Por fim, há uma frase oriunda de minha primeira reflexão que continua pertinente e cuja veracidade me parece tão simples quanto lúcida: “A SAÚDE é a sua própria manifestação de pequenas lutas diárias em seu nome.”. 


(Natália Oliveira)

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Diário Sonoro

Domingo, 05/10

Diário 1  
No início da gravação, o silêncio é absoluto. Passados alguns segundos, ouve-se o som característico de interferência no rádio. Alguns pássaros ao fundo. Poucos sons de automóveis.  Sensação de tranquilidade e paz – talvez até o que se definiria como o “marasmo do domingo”.

Diário 2
Sons de carros, vozes, o vento assobiando continuamente, alguns chiados “indecifráveis”, sons de pássaros, gritos provindo da rua, sons de televisão, buzinas, inúmeras conversas provindo da rua. O movimento do dia atribui-se às eleições. O pequeno aglomerado de gente e suas vozes enchendo as ruas num domingo atípico.

Diário 3
Sons de patas de cavalo, continuamente. Logo em seguida, carros e motos. Conversas, gritos e bastante movimento nas ruas. Mais sons de automóveis – um em particular com o motor bastante ruidoso. Combinando o pacato e a calmaria que penso sentir ao reconhecer o som de patas de cavalo – porque o atribuo à fazenda e à tranquilidade – com os ruídos da civilização com tantos carros circulando.

Diário 4
De início, apenas silêncio. Logo em seguida, o silêncio é cortado por sons de fogos. Barulho de embalagem abrindo. Som de minha própria respiração. Mais fogos, muitas buzinas. As pessoas comemoram o resultado das eleições em polvorosa. O que sempre foi muito comum em minha cidade. Ouve-se gritos e outros ruídos “indecifráveis”.

Diário 5
O áudio começa com meu riso. Foi gravado enquanto meu pai e eu estávamos conversando no carro. Como sempre, ele me faz rir demais. Faz um tanto de chacota por não compreender porque eu vou ao Centro Espírita. A voz dele se faz brincalhona até quando conversamos seriamente (eu rio a começar por essa voz). Continuo rindo incessantemente escutando comentários como “você vai ver espírito?”, “você tá indo lá pra namorar no espírito”. Meu pai é hilário. E eu tenho mais é que rir diante dessas coisas. 90% do áudio é preenchido por minhas risadas.

Diário 6
Silêncio. Após algum tempo, som de um suspiro. Som da vibração do celular. Sons que eu produzo ao tentar me ajeitar na cama antes de dormir – mexendo nos lençóis e travesseiros. Ouve-se, ao fundo, uma das músicas que gosto bastante tocar no rádio (Ode to My Family – The Cranberries), com alguns ruídos e chiados de interferência acompanhando a voz da Dolores O'Riordan. Sons de minha respiração. Silêncio quase absoluto – excetuando-se o rádio com a música e os ruídos. Som de tosse. Breve instante de silêncio.



                Repetindo a experiência no segundo dia (segunda, 06/10), percebi que os detalhes foram mínimos. Percebi que é mais difícil do que parece ouvir o mundo de fato. Vozes, carros, ruídos... Tantos sons nos permeiam! E quase não escutamos: apenas ouvimos.
                Uma colega pontuou que, talvez, a nossa visão “atrapalhe” a nossa audição: procuramos, na maioria das vezes, ver o mundo e não necessariamente escutá-lo. Ver nos distrai da percepção sonora, algumas vezes. Por isso, foi difícil me ater a detalhes mais precisos e profundos; não houve uma análise mais criteriosa e/ou minuciosa quando eu pude ver a fonte dos sons.
                Alguns sons se repetiram com certa frequência: carros, motos, conversas, gritos, sons de televisão e rádio. Todavia, a descrição não fora rica. Ouvi, mas não escutei, muito menos entendi. Não encontrei mais clareza ao tentar descrever.
                Nesse ínterim, minha conclusão quanto a esse exercício é que sou muito mais desatenta em alguns aspectos do que eu mesma julgaria. Quase nunca se tem tempo, acredita-se, para escutar o mundo de fato. Escutar as pessoas e entender o que elas querem dizer; ser ouvinte atento a mais fatores do que simplesmente poluição sonora (o canto dos pássaros, por exemplo, é tão singular e apaziguador e, na maioria das vezes, nem ouvimos nem escutamos); valorizar também o silêncio, quando se percebe a desarmonia que certos ruídos nos provocam; sentir alguns sons e associá-los sinestesicamente a outros fatores. A nossa audição também pode ser treinada para além do que a convencionamos. Da mesma forma que é preciso enxergar além, também é necessário escutar além. Logo, busco agora não subjugar um sentido ao outro, mas sim potencializá-los concomitantemente, completando-os através das percepções oriundas de ambos.



Natália Oliveira

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Os Sons do Silêncio
(autor desconhecido)

         Um rei mandou seu filho estudar no templo de um grande mestre com o objetivo de prepará-lo para ser uma grande pessoa.
         Quando o príncipe chegou ao templo, o mestre o mandou para uma floresta. Ele deveria voltar depois de um determinado tempo, com a tarefa de descrever todos os sons da floresta.
         Quando o príncipe retornou ao templo, após um ano, o mestre lhe pediu para descrever todos os sons que conseguira ouvir.
Então, disse o príncipe:
        - Mestre, pude ouvir o canto dos pássaros, o barulho das folhas, o alvoroço dos beija-flores, a brisa batendo na grama, o zumbido das abelhas, o barulho do vento cortando os céus...
        E ao terminar de ouvir o relato do príncipe, o mestre pediu-lhe que retornasse à floresta para ouvir tudo o mais que fosse possível. Apesar de intrigado o príncipe o obedeceu, pensando: "Não entendo, eu já distingui todos os sons da floresta..."
       Por dias e noites, novamente, ficou sozinho ouvindo, ouvindo, ouvindo... Mas não conseguiu distinguir nada de novo além daquilo que havia dito ao mestre. Porém, certa manhã começou a distinguir sons vagos, diferentes de tudo o que ouvira antes.
      E quanto mais prestava atenção, os sons mais claros se tornavam. Uma sensação de encantamento tomou conta do rapaz. Pensou: Esses devem ser os sons que o mestre queria que eu ouvisse...
      E, sem pressa ficou ali ouvindo, ouvindo pacientemente. Queria ter certeza de que estava no caminho certo.
     Quando retornou ao templo, o mestre lhe perguntou o que mais conseguira ouvir.
     Respeitosamente, o príncipe lhe disse:
     - Mestre, quando prestei atenção pude ouvir o inaudível som das flores se abrindo, o som do sol nascendo e aquecendo a terra e da grama bebendo o orvalho da noite...
     O mestre, sorrindo, acenou com a cabeça em sinal de aprovação e disse:
     - Quando se aprende a ouvir o coração das pessoas, os seus sentimentos mudos, seus medos não confessados e suas queixas silenciosas, uma pessoa pode inspirar confiança ao seu redor, entender o que está errado e atender as reais necessidades de cada um.  A nossa morte começa quando ouvimos apenas as palavras pronunciadas pela boca, sem nos atentarmos para o que se passa no interior das outras pessoas, a fim ouvirmos os seus sentimentos, desejos e opiniões reais.
     É preciso, portanto, ouvir o lado inaudível das coisas, o lado não mensurado, mas que tem o seu valor, pois é o lado mais importante do ser humano.






sábado, 4 de outubro de 2014

A cor da terra


A pequena fração de terra que escolhi pertence à Fazenda São Bento, e por que não dizer também, à minha infância?
        A fazenda foi construída por Antônio Jorge Midlej, meu bisavô, e está há três gerações na minha família. O intuito de sua construção: produção de cacau. Seus frutos – literalmente – auxiliaram muitos de meus familiares a ascender economicamente. Há cerca de 25 anos atrás, era possível a obtenção de 4800 arrobas de cacau. Todavia, como para toda a região cacaueira, o auge foi efêmero. Veio a vassoura de bruxa: podridão parda, seca; foi-se a produção, o dinheiro e a glória. Atualmente, a safra não alcança 400 arrobas e a fazenda, cuja intenção inicial era econômica, passou a ser, para mim, berço de infância, museu de minhas memórias e peripécias, enquanto eu percorria todos os cantos, desbravando terras já conhecidas.
        É preciso frisar que entendo e respeito sua importância histórica e econômica para minha família, não obstante as raízes que me fixam a essa terra são puramente emocionais. Ao visitá-la esporadicamente torno-me nostálgica, regresso ao cais de porto que fora minha infância e sinto que a terra me pertence – não através de escrituras – de forma irrevogável e inquestionável.
        O valor imaterial fundamentado nessa terra também me fora “ensinado” por meu pai que, sendo técnico agrícola, soube me cativar com a partilha de seus saberes a ela aplicados. Sempre se mostrou aberto a sanar minhas curiosidades e dúvidas acerca da agricultura e a história de uma terra que antecede (e bastante!) meu nascimento, mas que também está intrínseca na minha história.

        A pertinência, nesse caso, nada tem a ver com garantias, documentos ou provas físicas. Essa terra e eu nos pertencemos mutuamente. Há muito dela em mim e há marcas minhas nela. Visitando-a, visito a mim mesma. Num dos cantos de minha existência que se passaram de fato, todavia nunca deixarão de existir. É melancólico visitar quem você fora. Mas é essencial que assim se faça para que nunca esqueçamos que, dentro de nós, há sempre um pedaço de terra onde mora a pequenez da infância e sua imortalidade cristalizada em memórias. 


Natália Oliveira
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O cântico da terra
Cora Coralina

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranquila ao teu esforço.

Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.
 
Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.
 
E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranquilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Sobre a Importância das Experiências do Sensível



         Pergunto: porque necessitamos de um Componente que nos desperte a sensibilidade, quando, na verdade, estamos “sentindo” a todo momento? A resposta é simples: sentimos, sim, no entanto, não sabemos externar e não buscamos fazê-lo.
         O mundo no qual estamos inseridos subestima nossas emoções e nos impõe o mecanicismo em todas as esferas de nossa vida. Sentir não é rentável. Sentir não garante empregos. Sentir não nos acrescenta riquezas materiais. Mas como pode alguém passar pela vida sem buscar senti-la em todos os âmbitos possíveis?
         Nesse ínterim, a proposta de nos retirar de nossa zona de conforto e isolamento mostra-se indubitavelmente válida e instigante. Seja a terra à qual nos vinculamos emocionalmente, seja a descrição de quem somos, seja a capacidade de partilhar memórias íntimas e nossas... Todas essas experiências do sensível nos edificam e nos afastam do automatismo do cotidiano.
         De que vale uma vida tomada pela incapacidade de sentir a si mesmo e buscar entender os sentimentos alheios? Que tipo de médicos seremos se apenas nos importar o mecanicismo da prescrição de remédios? Que tipo de advogados seremos se não nos permitirmos viver a verossimilhança da Constituição e lutar por ela? Que psicólogos seremos se as nossas conversas significativas com outrem forem apenas aquelas nas quais recebemos algum pagamento?
         Sentir nos é intrínseco. Não devemos afastar os sentimentos da nossa edificação pessoal, profissional, acadêmica. A vida torna-se vã e crua quando não se sabe pelo que vale a pena viver. Esse sentido crucial nos é ofertado quando nos permitimos sentir!
         Sejamos, pois, a construção de uma sociedade capacitada também no sentir. Sejamos o exemplo revolucionário de que as pessoas precisam para aliar viver e sentir e nunca mais desvincular esses verbos, essencialmente na prática. Compartilhemos nossas memórias, mostremos quem somos, ouçamos mais as outras pessoas com quem (con)vivemos, busquemos enxergá-las não apenas como colegas de trabalho, de Universidade (...), mas também como seres sensíveis. Ser é sentir; sentir também é ser.



Natália Oliveira





      Pensamos demasiadamente
Sentimos muito pouco
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência.
Sem isso,
A vida se tornará violenta e
Tudo se perderá.
(Charles Chaplin)